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21/04/2019 - Esporte

Fundador da CUFA faz nota sugerindo ao Flamengo uma reflexão

A favela contribuiu para o Flamengo se tornar gigante e popular


Venho muito respeitosamente, através desta me manifestar diante do posicionamento confuso do Clube de Regatas do Flamengo, em matéria publicada na edição deste sábado do jornal Extra.

Por esta nota desejamos que o clube e sua agência de marketing refletiam sobre a favela. Vivemos em um Brasil plural, onde a expressão “FAVELA” é associada à violência apenas por pessoas e empresas preconceituosas. Há muito tempo, muitas instituições, de todos os tamanhos, posições e setores, inclusive a Nação Rubro-Negra, ressignificaram essa expressão. E, hoje, ela é sinônimo de raiz, luta, resiliência, arte, cultura, decência, trabalho, entre outras potencialidades presentes nesses territórios.

Curioso que a história do Flamengo tenha sido construída e se tornado tão marcante justamente pela imagem dessas pessoas, moradoras das favelas, que renunciavam muitas vezes às suas refeições para ocupar a Geral do antigo Maracanã, para reverenciar e construir a história de glória dessa Nação Rubro-Negra. Não, favela não é sinônimo de violência, como teria dito um funcionário do clube, em uma conversa com seus colegas de departamento, de acordo com a matéria veiculada no jornal Extra, ao justificar a recomendação de evitar o uso da expressão “FAVELA” nas postagens nas redes sociais do clube.

Onde essa agência vê carência, vê associação à violência, com seu olhar embaçado por preconceito, nós vemos potência! Onde essa agência vê depressão, nós vemos ternura! Onde essa agência vê sorrisos, muitas vezes desdentados, nós vemos explosão de alegria! O Carnaval faz tempo que excluiu a presença dos negros e favelados nos seus tapetes, exceto para empurrar carros alegóricos. O futebol, com suas arenas caríssimas, seguiu o mesmo caminho e deixou seus geraldinos do lado de fora. Muitas vezes, nem pela TV podem acompanhar seu time, pois até pra isso precisa pagar hoje em dia.

Mas é importante que a diretoria rubro-negra e a agência que contratou saibam que vocês passarão pela vida do Flamengo, mas nunca serão tão decisivos quanto a favela em sua história. Vocês podem tentar tirar o Flamengo da favela, mas jamais irão tirar a Favela do Flamengo.

Não sou flamenguista, sou torcedor do Bangu, que se não tem os títulos em campo como o Flamengo, mas ostenta o título vitalício de primeiro clube do Rio a aceitar negros em suas fileiras. Mas não falo como negro, como favelado, falo como um cidadão brasileiro, que não quer ver mais as pessoas separadas por muros e termos excludentes. Sonho com um mundo onde todos joguemos no mesmo time: negros, brancos, índios, flamenguistas, vascaínos, ricos, pobres, moradores dos palácios e das favelas.

Espero que revejam essa postura equivocada, não culpando quem a divulgou. Mas agindo em cada um que ainda enxerga na favela uma associação à violência. E, se insistirem com essa mentalidade, espero que a Nação Rubro-Negra funde outra nação, tão forte quanto essa que criaram e deram identidade com muita raça, amor e paixão. 

Flamengo, se orgulhe da sua nação assim como ela sempre se orgulhou de você.  Não demita esse profissional e nem troque de agência. Apenas os reeduque e peça para que estudem a história da favela e a história do Flamengo.

Viva o Flamengo!

Viva a favela!

 

Celso Athayde é fundador da CUFA e CEO da Favela Holding.







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